Caixa
Terça-feira passada, eu estava de folga, em casa. Aí, minha esposa me mandou um WhatsApp, me pedindo para comprar uma caixa de presentes que ela viu no shopping. Me disse qual era a loja e qual era o modelo exato que ela queria. Bem, eu Já queria passar lá mesmo, fui juntar o útil ao agradável. Troquei de roupa, dei uma ajeitada no cabelo e dei um pulinho lá no shopping.
Cheguei na loja e, depois de procurar um pouco, achei a tal caixa de presente. Era a última com a estampa de cachorrinhos salsicha que minha esposa queria. A priminha dela adora cachorros salsicha, era a caixa perfeita para o presente de aniversário da garota. Feliz, peguei a última caixa e fui pra fila do caixa.
Enfim, eu estava na fila do caixa com minha caixa na mão. Mais duas pessoas na frente, podcast tocando nos meus fones, tudo tranquilo. A primeira pessoa foi. Pouco depois, a segunda. Então, chegou minha vez.
A atendente era uma moça bem simpática. Assim que a caixa me chamou, eu andei até o caixa e larguei a caixa ao na bancada da caixa. A caixa pegou o leitor de códigos de barra ao lado da caixa registradora, leu minha caixa e disse:
— São 12 reais.
Beleza. Abri a carteira e saquei meu cartão de débito. Ao mostrar o cartão, a caixa me disse:
— Desculpa, o sistema está fora do ar. Hoje, só no dinheiro.
— Aceitas pix? — perguntei, em referência ao Casimiro.
— Infelizmente, não. Desculpa, é que o sistema está fora do ar mesmo.
Olhei pra minha caixa de presentes na bancada do caixa da loja. E para a cara da caixa, me mostrando a gavetinha da caixa registradora. Abri a carteira. Por algum motivo sem sentido, só tinha uma nota de 50 pesos uruguaios nela. Com a facilidade do pix e do pagamento em crédito por aproximação, não ando mais com dinheiro na carteira.
— Moça, onde tem uma agência da Caixa por aqui?
— No quarto andar.
— Cê tem certeza que o sistema não tá funcionando?
— Infelizmente, senhor.
— Essa era a última caixa com essa estampa. Posso deixar ela aqui?
— Pode.
Deixei minha caixa com a caixa. A caixa guardou a caixa embaixo da caixa registradora, num lugar escondido do balcão do caixa. Deixando a caixa segura com a caixa da loja, fui procurar a agência da Caixa.
Na Caixa

Cheguei na Caixa. Começo de mês, todo o mundo pagando contas. A fila do caixa eletrônico estava imensa. Depois de mais um tempo de espera, cheguei na boca do caixa. Saquei o cartão da Caixa e coloquei no caixa eletrônico. Senha, biometria, isso, aquilo, de repente, o caixa eletrônico ficou lento e parou de funcionar.
Chamei o funcionário da Caixa. Ele veio até o caixa eletrônico e, quando expliquei minha situação, ele me pediu desculpas e me autorizou a voltar para o início da fila. Assim que o próximo caixa ficasse livre, eu usaria. O cliente que estava em primeiro lugar me olhou feio, mas o que eu poderia fazer?
Minutos depois, um caixa ficou livre. Andei até a boca do caixa, coloquei meu cartão da Caixa no caixa eletrônico e repeti todo o ritual. Senha, biometria, isso, aquilo e… o caixa parou de funcionar também. E, dessa vez, o caixa eletrônico não queria cuspir o meu cartão.
Chamo novamente o funcionário da Caixa na boca do caixa. Ele olha para meu cartão preso no caixa eletrônico e me pede desculpas. Faz aquelas magias que só funcionário da Caixa sabe fazer e o caixa libera o cartão. Como dois caixas eletrônicos não resolveram o meu problema, o funcionário da Caixa me diz que vou precisar entrar na agência e sacar o dinheiro direto no caixa. Tudo isso por causa de uma caixa organizadora que a caixa está guardando pra mim lá no caixa da loja.
Frustrado, agradeço ao funcionário. Mas, antes de entrar na agência da Caixa, decido ligar pra minha esposa pra perguntar se ela quer aquela caixa em específico. Ligo. O celular toca, toca, toca e ela não atende. Caixa postal.
Sem ter o que fazer, decido entrar na Caixa. Porta giratória do detector de metais, tiro do bolso o celular, as chaves e jogo na caixa de acrílico. Dentro da Caixa, pego as coisas na caixa e vou para a fila do caixa.
Banco é um teste de paciência. Caixa preferencial, caixa de cliente black gold diamond uranium, caixa do cliente comum, tipo eu. Em todo banco, tem um velho reclamando que a fila está muito demorada. Ainda mais na Caixa. Tento ligar para minha esposa de novo. Caixa postal novamente. Quando tudo parecia ruim o suficiente, um cara atrás de mim começa a ouvir música. No fone de ouvido? Não, numa caixa de som. E sempre é música ruim que o povo ouve alto, já reparou?
Enfim, depois de meia hora de espera, finalmente chamaram minha senha. Me levantei e fui até o caixa. O caixa da Caixa, dessa vez era um homem, me perguntou o que eu gostaria e eu disse que queria sacar dinheiro. Ele me disse que eu não precisava estar na fila, já que tinha o caixa eletrônico lá fora. Expliquei pro caixa que eu estava ali porque os caixas eletrônicos não estavam funcionando. Ele pediu desculpas em nome da Caixa e, pegando meu cartão e meu documento, abriu a caixa registradora, e sacou pra mim 20 reais.
Agradeci ao caixa. Peguei o dinheiro e fui em direção à saída da Caixa. Tinha tanto tempo que eu não ia a um banco que eu estava enferrujado. Fiz menção de deixar minhas coisas na caixa de acrílico pro detector de metais não me barrar, mas o segurança da Caixa me disse que não precisava. Agradeci.
Depois de dois caixas eletrônicos não funcionarem e de esperar meia hora até ser atendido pelo caixa da Caixa, desci os quatro andares do shopping e voltei para a loja. Chegando lá, a caixa sorriu. Estava preocupada porque estava chegando a hora do almoço e a caixa não ia poder sair do caixa deixando minha caixa lá. Paguei a ela.
A caixa da loja tirou a caixa de presentes de baixo do caixa. Pegou meu dinheiro e guardou na caixa registradora. A caixa me disse que o almoço dela seria corrido naquele dia. Ela ia correr no restaurante chinês, pegar uma caixa de comida e provavelmente a caixa iria almoçar na fila do caixa da Caixa.
Texto inspirado no vídeo desse simpático britânico que vive no Brasil há 27 anos.
