O incrível guia do Lucas Conrado: Montevidéu, Uruguai
“Me encontré con la gente que sabe valorar/ Que de turista, en la capital, han sabido vagar”
(Trecho da música Zafar, da banda uruguaia La Vela Puerca)
Ruas arborizadas, arquitetura bonita. Uma cidade ainda segura na América do Sul. Um povo muito solícito e receptivo. Isso, com uma sociedade progressista, com cantos da cidade que destacam a diversidade. Bem vindos a Montevidéu, uma das minhas cidades favoritas no mundo! Por conta do trabalho, estou constantemente na capital uruguaia e, neste texto, vou compartilhar um pouco das dicas de passeios e alimentação em Montevidéu.
Aliás, quer já entrar no clima da cidade? Dá um play nessa playlist de música uruguaia! Sério, tem muita banda e cantor excelente no Paicito! Eu, particularmente, adoro Jorge Drexler, El Cuarteto de Nos, La Vela Puerca e No Te Va Gustar. Mas você pode conferir muito mais abaixo!
Prazer, Montevidéu
Localizada às margens do Rio da Prata, Montevidéu é a capital do Uruguai. Sua população é de 1,7 milhão de habitantes, praticamente metade da população do país. Apesar de ser uma capital, um pouco maior que Porto Alegre, Montevidéu tem muita cara de cidade do interior do Brasil. Mesmo em horário de pico, é difícil ver engarrafamento nas avenidas. Se você caminha pela Avenida 18 de Julio, a principal da cidade, às 4 da tarde de um dia de semana, parece que você está andando numa capital brasileira num sábado, de tão tranquilo que é.
Montevidéu tem um ritmo muito próprio. As lojas abrem tarde pros padrões brasileiros, entre 10 e 11 da manhã. Escritórios, museus, parques e outros serviços fecham cedo, por volta das 17 horas. Mais ou menos nesse horário, o calçadão a beira do Rio da Prata já começa a ficar movimentado, com pessoas caminhando, andando de bicicleta ou só sentadas, conversando e tomando seu mate. As lojas dos shoppings ficam abertas até mais tarde, mas, mesmo na principal avenida da cidade, o comércio fecha bem mais cedo que no Brasil. Como eu disse, parece uma cidade de interior, com um estilo de vida muito mais calmo.
Daí que vem a primeira dica. Montevidéu é uma cidade para quem gosta de um ritmo mais tranquilo. Não é uma cidade cosmopolita e vibrante, tipo Santiago do Chile. É muito mais sossegada.
Montevidéu é uma cidade para se conhecer a pé. A começar pelo relevo, quase plano, com pequenas colinas, assim como todo o Uruguai. Além do relevo, o charme das ruas na região do centro, Punta Carretas e Cuidad Vieja é outro convite para bater perna. Ruas arborizadas, calçadas amplas, casinhas e prédios bonitos. Praças, parques, cafés, livrarias compõem o cenário perfeito. Junto a isso, um povo muito simpático e acolhedor. Já viajei um bocado de país, rodei boa parte da América do Sul. Mesmo no Brasil, poucas vezes encontrei pessoas tão dispostas a ajudar quanto os uruguaios. Já me aconteceu duas vezes de pedir uma informação de como chegar em algum lugar, a pessoa sacar um papelzinho e escrever o passo a passo, só pra garantir que eu não fosse esquecer. Que povo!

Outra coisa importante. A cidade ainda é segura! Claro que, como em qualquer cidade do mundo, você não pode ficar ostentando, andando com joias, exibindo objetos de valor. Mas é muito raro você ouvir casos de roubos ou furtos em Montevidéu. Para você ter ideia, já andei nas ruas do bairro Ciudad Vieja por volta das 23 horas e nada aconteceu. Não tenho coragem de andar nas ruas do centro de Belo Horizonte nesse horário. E olha que BH está longe de ser a capital mais perigosa do país.
A única coisa chata, especialmente na Ciudad Vieja e Plaza Independencia, é a quantidade de pedintes. Alguns deles abordam e insistem no pedido de dinheiro. E não adianta falar português com eles, já que muitos uruguaios sabem o nosso idioma. E, se você recusa a esmola, eles podem te xingar. Aconteceu comigo mais de uma vez. Mas não passa muito dos xingamentos.
Algumas informações antes de eu falar o que fazer na cidade
Não falo espanhol. Estou perdido?
Não, não está. Inclusive, o Uruguai é um dos melhores lugares para um brasileiro que não fala espanhol poder visitar. É comum ver uruguaios falando português. Eu falo espanhol, obviamente com sotaque brasileiro. Um dia, no shopping, eu soltei as quatro palavras: “un chivito, por favor”, e o atendente me respondeu em português. Até quando falei com o cantor uruguaio Jorge Drexler, ele me respondeu “pode falar português comigo”.
Cheguei a perguntar a um uruguaio se eles aprendem português na escola e ele me disse que não. Existem escolas bilíngues ou trilíngues no país, mas não parecem ser a maioria. Mas, pelo que já observei de conversas e até de entrevistas com músicos uruguaios, eles têm muito contato com a cultura brasileira. Acabam pegando o nosso idioma. E, mesmo os uruguaios que só falam espanhol vão tentar se comunicar.
Mas, é óbvio. Se você souber falar espanhol ou tentar soltar algumas frases básicas, isso vai ajudar bastante.
Como é a questão do dinheiro por lá? Levo dinheiro vivo? Travel money?
Travel Money funciona muito bem no Uruguai. Pelo menos o Wise e o AstroPay nunca me deram dor de cabeça. Usei em lojas, restaurantes, supermercados, lanchonetes e até numa barraquinha de discos usados numa feira de rua e sempre funcionou. O bom de usar esses cartões é que você não paga IOF. É um dinheirinho a mais pra você usar.
Ah, quando você for pagar refeições ou compras em supermercados, use cartão! Pode ser o travel money ou mesmo o seu cartão de crédito ou débito. Isso porque estrangeiros recebem o desconto do IVA, que é um imposto de 10% a 22% sobre os produtos no Uruguai. Compras de lembranças, roupas e afins não têm esse desconto, mas comida tem. E vale demais a pena, porque o Uruguai é um país caro!

No Uruguai vale a máxima: quem converte não se diverte.
De acordo com essa matéria da BBC, o Uruguai era, em 2024, um dos 10 países mais caros do mundo! Pra você ter uma ideia, um combo de Quarteirão com Queijo no McDonald’s uruguaio custa entre 449 e 469 pesos, o que equivale a algo entre 62 e 65 reais. É comum você pagar uns 110 reais numa Milanesa com fritas e Coca-Cola. E não é num restaurante engana turista. É num restaurante legal, mas bem padrão pro uruguaio consumir.
O problema do Uruguai é que é um país pequeno, com população de apenas 3,7 milhões e pouca indústria. Quase tudo ali é importado. Pra você ter ideia, fui almoçar lá um dia usando talheres Tramontina, temperando a comida com uma pimenta produzida em Goiás e bebendo cerveja importada: Brahma. Como são poucas importadoras, elas meio que cobram o que querem. E como os uruguaios precisam pagar para consumir coisas importadas, eles precisam acabar inflacionando até o que é produzido no país. Vira uma bola de neve e todos saem perdendo com isso. Menos as importadoras.
Enfim, o dinheiro que eles usam é o Peso Uruguaio. No dia que estou escrevendo este texto, 100 pesos uruguaios equivalem a 13,82 reais. A minha sugestão é que você ande com uns pesos uruguaios no bolso, trocando lá em Montevidéu mesmo. Você vai precisar desse dinheiro se quiser pegar um ônibus (a passagem custa uns 61 pesos, o que equivale a 8,45 reais) ou se quiser comprar alguma lembrancinha, touca ou luva nas feirinhas da Ciudad Vieja. Não são todas as barraquinhas que aceitam travel money.
Por falar em ônibus, como se deslocar em Montevidéu?

O Uber é legalizado no Uruguai e é fácil pedir corridas. Pelo menos das vezes que pedi, os motoristas aceitaram e vieram buscar logo. Muito mais rápido do que nas cidades brasileiras. Simulei aqui uma corrida do Shopping Punta Carretas até a rua Trienta y Trés, onde fiquei hospedado na Ciudad Vieja. Isso viajando de Uber X. Um trajeto de 15 minutos de carro ou 6 quilômetros A corrida deu 454 pesos, o equivalente a 62 reais. Do Aeroporto Internacional de Montevidéu até a mesma rua Trienta y Trés, são 22 quilômetros. A corrida custa 1251 pesos ou 171 reais.
A minha casa fica a 22 quilômetros do Aeroporto de Confins. No mesmo Uber X, a corrida custa 41 reais.
Quem converte não se diverte! Já falei!
Pra economizar, quando passei férias em Montevidéu, eu usei bastante o ônibus. As linhas do centro da cidade são abundantes e os coletivos passam toda hora. Mesmo do Aeroporto Internacional de Carrasco ao centro de Montevidéu, eu fui de ônibus, em uma das muitas linhas que ligam a capital à região de Canelones. Passam numa frequência boa e não custam nada fora do comum. A viagem do aeroporto até o centro da cidade leva uns 50 minutos e custa mais ou menos 80 pesos, ou uns 30 reais.
Ah, e muitos ônibus da cidade são modernos, elétricos e silenciosos. Têm até desfibrilador a bordo! E eles tocam música. Com sorte, você consegue ouvir uma do El Cuarteto de Nos!
No entanto, se você não vai se deslocar para longe e tem disposição, a graça de explorar Montevidéu é andar a pé! Eu sou meio exagerado e cheguei a andar 30 quilômetros em apenas UM DIA! Mas, antes de dizer o que eu vi de tão legal na cidade, preciso responder outra pergunta.
Como é o clima em Montevidéu? Preciso levar casaco?
Em questão de temperatura, Montevidéu é uma cidade com os climas muito bem definidinhos. O verão tem temperaturas que variam entre 19ºC e 30ºC na média. É bem tranquilo de passear com camiseta e bermuda, podendo levar um casaquinho leve se quiser ficar mais confortável à noite. Agora, o inverno é brabo. De acordo com o Google, a temperatura varia entre 7ºC e 14ºC na média. Olha, mas é bem na média mesmo. Em julho de 2025, cheguei a pegar 0 graus na capital uruguaia. Com os ventos, a sensação térmica despencava. Algumas camadas de roupas foram necessárias para eu não congelar.

Na primavera e outono é aquela bagunça. Tem dia mais quente, tem dia mais frio. Quanto mais perto do verão, as chances de você pegar um dia frio são bem menores. Mas quando você está perto do inverno, tipo em maio, é bom separar uns bons casacos.
Em relação a chuvas e neblinas, aí é um negócio muito imprevisível, especialmente no inverno. Já aconteceu de eu estar em Montevidéu num lindo dia, gelado, mas ensolarado, tirando fotos de um por do sol incrível. Aí veio o dia seguinte, com tudo nublado. Mesmo no outono, estação na qual fui ao Uruguai pela primeira vez. No primeiro dia das férias, um céu azul perfeito. Poucos dias depois, uma neblina densa, que mal mal te deixava ver 2 quarteirões pra frente.
Aliás, neblina é uma preocupação que você precisa ter ao visitar o Uruguai, especialmente no inverno. Trabalho numa companhia aérea e soube de colegas tripulantes que ficaram presos em Montevidéu por dias porque o aeroporto estava coberto de neblina. Da mesma forma, outros colegas tiveram a escala alterada porque não conseguiram sair do Brasil rumo ao Paicito. E, se tripulante não vai, obviamente passageiro também não vai.


Olha a prova de como o tempo em Montevidéu é imprevisível. As duas fotos acima foram tiradas no mesmo dia, com um intervalo de 42 minutos.
O que comer em Montevidéu?
Apesar de ser uma cidade litorânea, o forte de Montevidéu não são os frutos do mar, mas as carnes. Uma boa parte da economia do país vem da pecuária, especialmente da criação de ovelhas e gado e isso se reflete na culinária. Se você não é vegetariano ou vegano, você vai se esbaldar com a carne uruguaia. Muito macia, suculenta, mas sem sal. Aliás, a comida uruguaia tem pouco sal e restaurantes têm placas destacando como seu consumo faz mal à saúde. Vou listar aqui algumas coisas boas que comi no Paicito.

Milanesa – Um dos pratos mais clássicos da culinária uruguaia e argentina. Um bifão de boi fininho, empanado e frito, nomalmente acompanhado de batatas fritas, purê de batatas, salada ou arroz. Preste atenção para o “ou” ali. Ele não vem com tudo isso. Vem com uma dessas opções. O tradicional é só o bife com o acompanhamento e uma fatia de limão. Mas você pode pedir ele com cobertura de cheddar e bacon, parmegiana ou outras opções.

Chivito – Um sanduíche bem tradicional por lá. Pão maionese, presunto, queijo, bife, ovo, bacon, alface e tomate. Normalmente vem acompanhado de batatas fritas. Bom demais!
Parrilla/Asado – É o churrasco uruguaio. A parrilla completa nos restaurantes traz diversos cortes de carne de boi, porco, frango e até cordeiro. E também costuma trazer miúdos e chouriço (o nosso chouriço, feito com sangue coagulado). Como falei ali em cima, as carnes são suculentas e macias, mas sem sal.
Empanadas – É uma pena que seja tão raro encontrar empanadas no Brasil, visto que elas são comuns no restante da América do Sul. São tipo um pastel assado, recheada de carne, queijo, atum ou outros sabores. São um bom lanche pra forrar o estômago no meio do dia.
Dulce de Leche – Uruguaios, argentinos e a galera de Viçosa brigam para saber quem faz o melhor doce de leite do mundo. O doce de leite uruguaio é diferente do brasileiro. É mais encorpado e muito menos doce. Muito bom. As marcas mais famosas são a Los Nietitos, Juana La Loca e Conaprole. Eu, particularmente, adoro a Conaprole.

Dica: compre esses doces de leite em supermercados. São mais baratos que em lojas para turistas.
Sorvete de Doce de Leite – Só experimente! Na rede La Cigale. Eu nem sou o maior fã de doce de leite, mas sempre que vou a Montevidéu, é obrigatório pegar uma casquinha de doce de leite ou manjar de nuez (doce de leite com nozes). Sério, só confia no pai!
Alfajores – Os alfajores uruguaios têm uma textura diferente dos argentinos. Enquanto os argentinos são mais macios, tendo uma textura mais puxada para um pão de mel, os uruguaios são mais duros, parecidos com um biscoito. O meu favorito é o Punta Ballena Negro. Como ele é? É tipo um Oreo coberto com chocolate e com recheio de doce de leite. Experimentei também o Juana La Loca, mas achei ele mais doce.
Bocadito – É uma variação do alfajor com mais recheio. Enquanto o alfajor são duas fatias de massa recheadas com algum creme, tipo doce de leite, o bocadito é uma fatia da massa coberta por muito recheio, ficando com um formato cônico. E essa explosão de doce é coberta de chocolate. Muito bom também!
Vinho Tannat – Gente, vou ser bem sincero, eu não gosto de vinho seco. Mas a galera que gosta, adora o Tannat. É feito com uma uva específica do Uruguai e dizem que harmoniza muito bem com o asado ou parrilla.
Mais adiante, vou sugerir lugares para você comer e beber.
Por fim, onde me hospedar em Montevidéu?

Eu recomendaria a região entre os bairros Ciudad Vieja e Pocitos. Mas onde se hospedar vai depender da sua vibe e do seu bolso. Você tá com mais dinheiro e quer um negócio mais sofisticado, com muitos bares, restaurantes e vida noturna? Vá para a região do Punta Carretas ou Pocitos. Se o seu negócio é mais rústico, com uma pegada mais mochileira universitária, aí é Ciudad Vieja. Quando fui pro Uruguai de férias, fiquei no Hostel Circus, bem no coração da Ciudad Vieja e gostei bastante. O hostel tem quartos compartilhados e também quartos de casal com banheiro privativo. E a hospedagem não foi das mais caras.
A vantagem de estar na Ciudad Vieja é que você está perto da maioria dos pontos turísticos do centro da cidade. A maioria dos lugares que vou recomendar aqui estão a 20 minutos a pé da Ciudad Vieja. Para os padrões brasileiros, é um bairro muito seguro, só tem a inconveniência dos muitos pedintes durante o dia. Mas eu ainda acho que vale a pena ficar por lá.
Agora, a trabalho, eu sempre fico no Punta Carretas. O bairro é mais caro e sofisticado, tem uma carinha de Zona Sul do Rio de Janeiro. Sério, olha a foto dos prédios a beira mar abaixo. Se eu não te falasse que isso é no Uruguai, você provavelmente acharia que estou mostrando uma foto de Copacabana. Como falei lá em cima, o bairro tem muitos bares e restaurantes, além de abrir o Shopping Punta Carretas, com uma praça de alimentação bem boa. A região dos bares lembra um bocado a região da Savassi em Belo Horizonte, ou do Baixo Botafogo, no Rio de Janeiro (gente, esse é um guia pessoal, estou dando referências de onde já morei).
Dá para visitar os pontos desse guia a pé saindo do Punta Carretas. Inclusive, alguns como o Parque Enrique Rodó e as letras de Montevideo ficam mais perto dali. Mas dá uns bons 40 minutos de caminhada até o centro da cidade. Caminhada agradável, mas caminhada.
Chegamos onde você queria: o que fazer em Montevidéu?
Pra organizar melhor, vou dividir o que conheço da cidade em 3 partes: Em azul no mapa abaixo, Centro e Ciudad Vieja; Em verde, Rambla, Punta Carretas e Pocitos; Em vermelho, Tres Cruces e Parque Batalle. Os restaurantes que vou indicar estão aparecendo nesse mapa em amarelo ou laranja.
1) Ciudad Vieja e Centro
É a região que concentra mais pontos turísticos. Incluí aí toda região central da cidade, destacando praças, museus, lojas e mercados. Acho ideal para quem quer aproveitar Montevidéu durante o dia!

Avenida 18 de Julio
É a principal avenida do centro de Montevidéu. Com 3 quilômetros, ela começa na Praça El Gaucho, aos pés do edifício com o mesmo nome e termina na Plaza Independência. É cheia de restaurantes, lojas, bancos e praças. Inclusive, a maioria dos pontos que vou indicar aqui estão ou na avenida ou próximos a ela.
Mirador Panorámico de la Intendencia
É um dos pontos mais legais de Montevidéu e uma visita obrigatória para mim, sempre que vou à capital uruguaia. Imagina um mirante no 22º andar de um prédio, a 77 metros do chão, de onde você enxerga a cidade inteira. Isso é o Mirador Panorámico. Para chegar lá em cima, você vai ter que gerar um bilhete, lendo um QR Code na entrada do prédio. Aí apresenta na catraca e sobre um elevador panorâmico. Vale demais a pena visitar!
O mirador está aberto de segunda a sábado, das 10 até as 18 horas. Até meses atrás, era só chegar e entrar. Depois, passaram a pedir pra pegar uma entrada no site da Intendencia (que é tipo a prefeitura). Apesar de o site ter um horário para a subida, você podia só mostrar o bilhete e entrar. Em janeiro de 2026, a funcionária da entrada nos pediu para esperarmos o horário de subida para podermos ir. Creio que seja por causa do alto movimento do elevador. Nunca vi tão cheio quanto no dia que estou escrevendo esse parágrafo.

Ah, a entrada do Mirador não fica na avenida 18 de Julio, apesar de o prédio estar localizado nela. Para entrar, você precisa descer até a rua Soriano, de frente pra Smartfit e o Centro Islâmico do Uruguai. E, se você for no inverno, se prepare para ventos gelados no alto do prédio, especialmente na face virada para o mar.
Fonte dos Cadeados

Na esquina da Avenida 18 de Julio com a rua Yi existe uma fonte. Um dia, alguém inventou de colocar um cadeado nessa fonte, com o nome da pessoa e de quem ele ou ela amava. Tipo naquela ponte de Paris. Aí outra pessoa colocou, e outra, e outra e outra e assim surgiu a Fonte dos Cadeados. É tanto cadeado pendurado ali que os mais embaixo já viraram um bloco só, quase fossilizados ali.
Aliás, ao lado dessa fonte, está localizado o Bar Facal. Na calçada, na frente do bar, há uma estátua de bronze do cantor de tango Carlos Gardel. Aos pés da estátua, existe uma placa dizendo que ele nasceu na cidade uruguaia de Tacuarembó. Curiosamente, visitei Toulouse, na França, e lá tem uma placa dizendo que ele era toulousano. A verdade é que ninguém sabe onde o Carlos Gardel nasceu, se ele era francês, uruguaio ou argentino, então cada um puxa a sardinha pro seu lado. Parece que ele frequentava aquele bar e gostava de se sentar às mesas daquela calçada.
Livraria Puro Verso
Uma das livrarias mais bonitas que já fui fica na Avenida 18 de Julio, esquina com a Rua Cuareim. Estreita, mas comprida, com uma decoração linda lá dentro. A livraria tem um mesanino e uma escada de madeira bem legal. Vale a pena dar uma namorada nos livros e ver a arquitetura de seu interior. Mas os livros no Uruguai são caríssimos. Eu queria comprar algo do Eduardo Galeano quando estive na cidade, mas não rolou. Uns 120 reais um livro de uma edição normal, nada demais.

Plaza Cagancha e Plaza Juan Pedro Fabini
Ao longo da 18 de Julio, há 2 praças maiores, antes de se chegar na Praça da Independência. Para quem está indo do El Gaucho para a Ciudad Vieja, a primeira praça é a Cagancha. É um lugar bonito, mas sem grandes atrativos, além de um cenário para fotos legais.
Já a praça seguinte, Juan Pedro Fabini, é mais legal. Tem fonte, uma unidade do restaurante La Pasiva e o Centro de Esposiciones de Montevideo (ainda não visitei esse museu de arte, desculpa). Teve uma vez que passei ali com minha noiva à noite e vários casais de idosos estavam dançando tango. Coisa mais bonitinha de se ver.
Do outro lado da praça, no início da Avenida Libertador Brigadeiro General Lavalleja, está o trailer Macanudo, onde você pode comer um hambúrguer muito gostoso e com o preço mais bara… menos caro! Mas vou falar do Macanudo, La Pasiva e outros restaurantes mais adiante.
Palacio Salvo
O Palácio Salvo é provavelmente o prédio mais famoso de Montevidéu. Com seus 95 metros de altura, foi o primeiro arranha céu da América do Sul e, durante muitos anos, foi o prédio mais alto do continente! O que chama atenção é o seu formato, que parece um foguete decolando no meio da cidade.
Nunca entrei nele, mas há visitas guiadas em espanhol todos os dias, além de visitas em inglês e português com outros horários. Aparentemente, as visitas em português acontecem somente aos sábados, ao meio-dia. Além de conhecer o prédio por dentro, você ainda visita o Museu do Tango, em homenagem Gerardo Matos Rodríguez, autor da famosa música La Cumparsita.
As visitas duram 45 minutos e o ingresso custa 450 pesos, ou 60 reais.
Plaza Independencia e Urushop

No fim da Avenida 18 de Julio, aos pés do Palácio Salvo, está a principal praça de Montevidéu, a Plaza Independencia. No centro da praça está a estátua e o mausoléu do herói da independência uruguaia, o General Artigas. É uma praça ampla, gostosa de se sentar e ver o movimento da cidade, mas também palco de manifestações, intervenções artísticas e outros eventos ao longo do ano. De acordo com o Matias Pinto, no Fronteiras Invisíveis do Futebol sobre o Uruguai, possível encontrar na praça até o então presidente do Uruguai, José Mujica.
Por falar em Mujica, ao lado da praça está o prédio da presidência do Uruguai. Ali ao redor também tem embaixadas, inclusive a do Brasil, cafeterias e lojinhas de turistas. Gosto bastante de passar na Urushop, na esquina em frente ao Palacio Salvo, e comprar ali o alfajor Punta Ballena Negro. Sério, que coisa maravilhosa! Chorando um descontinho, você paga 450 pesos em 3 pacotes com 6 alfajores cada. E ainda compra uns bonés, camisetas, imãs e outros penduricalhos de turista.
Nos arredores, você também pode ver ver a Puerta de la Ciudadela. Durante a colonização do Uruguai e a disputa entre Portugal e Espanha pela região, o que hoje é a Ciudad Vieja era murado. Com o crescimento da cidade, as muralhas foram derrubadas, mas o portal ainda foi matido, para relembrar aquela época.
Teatro Solis

O Teatro Solis foi inaugurado em 1842, 17 anos depois da independência do Uruguai e é o teatro mais antigo da América do Sul. Ele tem capacidade para 1500 espectadores e recebe diversos espetáculos diferentes, que incluem peças, balés e até shows musicais. Inclusive, Jorge Drexler gravou o DVD que acompanha o disco Eco² ali no Solis.
Além das apresentações artísticas, você também pode conhecer o Solis em visitas guiadas. Elas acontecem de terça a domingo em horários diferentes dependendo do mês. Você pode consultar os dias e horários aqui no site do próprio Teatro Solis. Os ingressos custam 200 pesos para uruguaios e 400 para estrangeiros e podem ser retirados na bilheteria do local, pagando com débito, crédito ou dinheiro.
Plaza de la Diversidad Sexual

Uma das coisas que mais gosto no Uruguai é que é um país bastante progressista. O primeiro do continente a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o aborto e o uso recreativo da maconha. Bem no coração de Montevidéu existe a Plaza de la Diversidad Sexual, a primeira praça da América Latina a abordar o tema e quarta no mundo.
A inauguração aconteceu em 2005, com a presença de intelectuais uruguaios como o escritor Eduardo Galeano. Ela foi desenvolvida por grupos da comunidade LGBTQIAP+ do país e conta com uma exposição de fotos de uruguaios e uruguaias que participaram da luta pelos direitos da comunidade.
Museu Andes 1972

Na Rua Rincón, 619, você também pode visitar o Museu Andes 1972, dedicado às vítimas e sobreviventes do famoso acidente aéreo que vitimou um time de rugby na Cordilheira dos Andes. Sim, é aquele acidente no qual os sobreviventes precisaram se alimentar da carne dos mortos e que virou vários filmes, sendo o mais recente o Sociedade da Neve.
O museu não é muito grande, mas tem um acervo bem completo. Fotos, recortes de jornal, maquetes e muitos painéis que contam detalhes da viagem, da Cordilheira dos Andes, de sobrevivência no gelo e os impactos no corpo humano. Mas, o mais chocante dali, são os destroços reais do avião acidentado, além de peças de roupas e outros objetos utilizados pelos sobreviventes na cordilheira.
Aliás, tem uma câmara frigorífica na qual você pode experimentar o frio que as pessoas passaram enquanto tentavam sobreviver nas montanhas.
O museu está aberto de segunda a sexta, das 10h às 17h e aos sábados das 10h às 15h. O ingresso custa 8 dólares para adultos e 4 dólares para crianças.
Plaza de la Constituición e Catedral Metropolitana de Montevideo
Seguindo pela Rua Sarandí, a gente chega na Plaza de la Constituición, no meio da Ciudad Vieja. Além de ser uma praça bem gostosa de se passar, ela tem uma feirinha com imãs, moedas antigas, peças de roupas e outras lembrancinhas para turistas. Ali também tem uma banquinha do La Cigale, sorveteria que vou falar em mais detalhes mais adiante, além de McDonald’s, La Pasiva e outros restaurantes. E também um supermercado onde você pode comprar o doce de leite Conaprole.

Colado com a praça está a Catedral Metropolitana de Montevideo, inaugurada em 1740. Aliás, desde o início da história do país, o catolicismo não teve uma presença tão grande no Uruguai, como teve em outros países da região. Até por isso, a catedral é menor que a de outras cidades, como Santiago do Chile. Ali estão enterrados alguns nomes imporantes da história do Uruguai, como os ex-presidentes Venancio Flores, Joaquin Suarez e Fructuoso Rivera, o libertador Juan Antonio Lavalleja, além de bispos e sacerdotes da igreja.

Mercado do Porto
É um mercado bem tradicional, com aquela arquitetura típica dos mercados públicos de cidades sulamericanas: paredes de tijolos e teto sustentado por uma estrutura de ferro trabalhado. Foi inaugurado inicialmente para atender aos barcos que paravam no porto, além dos funcionários da alfândega. Com o tempo, foi se tornando cada vez mais turístico, até chegar ao mercado que vemos hoje.
É o ponto mais procurado pelos turistas para almoçar em Montevidéu. Ao contrário de outros mercados da América do Sul, o forte dali são as carnes, não os pescados. Tem várias opções de parrillas (churrasco) e da famosa milanesa com batata frita ou purê de batatas. Como todo ponto turístico, ainda mais em Montevidéu, os preços não são os mais baratos. Uma parrilla que atende a 4 pessoas está numa faixa de 2400 pesos (330 reais). Dividindo por quatro, sai a 82 reais por pessoa. Não é a comida mais barata do mundo, mas vem com bastante carne. Se você não for pra lá morrendo de fome, vai sobrar carne.
Eu, particularmente, recomendo o La Maestranza. Vou falar dele mais adiante.
Além dos restaurantes, ali tem também várias lojinhas de lembrancinhas, doces de leite, alfajores e bocaditos. Todas tem mais ou menos a mesma faixa de preço, com uma cobrando um pouco mais caro nisso, outra um pouco mais caro naquilo. A dica é rodar lá até achar o que você quer pelo melhor preço.
2) Rambla, Punta Carretas e Pocitos
Essa região aqui inclui a margem do Rio da Prata. Tirando o Parque Enrique Rodó, essa parte da cidade é para quem quer aproveitar o entardecer e a vida noturna.

Rambla
É o calçadão ao longo do Rio da Prata. Começa ali na Ciudad Vieja, próximo ao porto e vai embora até sei lá onde, mas passa por toda a parte mais turística de Montevidéu. Sério, é muito gostoso caminhar por esse calçadão, especialmente no fim da tarde, com o sol mais ameno.
A própria população de Montevidéu adora a Rambla. Especialmente aos fins de semana, feriados e fins de tarde, mas ao longo de todo o dia, as pessoas vão pra lá caminhar, correr ou só aproveitar o dia mesmo. É comum ver casais de namorados e amigos sentados ali, curtindo o vento e tomando seu mate. Tem também uma ciclovia ao lado e, de pontos em pontos, há quadras, campos de futebol e pistas de skate e patinação. É um ótimo lugar pra passear e ver o por do sol.
Parque José Enrique Rodó

Um dos maiores parques de Montevidéu está coladinho com a Rambla República Argentina, que vai dar na Ciudad Vieja. Já dá para encaixar um passeio no outro. É um parque bem amplo, com 420 mil metros quadrados, cheio de caminhos, lagos e outras atrações. Se você já foi a Belo Horizonte, vai sentir uma semelhança com o Parque Municipal, apesar de as árvores serem bem mais espalhadas.
Tem bastante coisa para ver no parque. Posso começar citando suas duas lagoas principais. A maior ainda tem um serviço de pedalinho. Na margem dessa lagoa tem uma cafeteria, um lugar para alugar bicicletas e um castelinho, que abriga uma biblioteca infantil.
Dentro do parque, você ainda pode visitar a fotogaleria, que recebe exposições itinerantes de imagens, além de duas fontes. Uma delas homenageia o jornalista e escritor José Enrique Rodó, que dá nome ao parque. Ainda tem quadras de tênis, playgrounds (com uns balanços bem grandes, acho que para adultos) e um cassino. Sim, cassinos são legalizados no Uruguai.
Se você estiver passeando pelo parque num domingo, ainda pode dar um esticadinha na feirinha de rua que acontece ali nos arredores. Tem barraquinhas de comida, lembrancinhas e roupas e camisas de bandas de rock. Vale dar uma voltinha lá.
Nos arredores do parque, você ainda consegue visitar o Museu Nacional de Artes Visuais, as Faculdades de Engenharia e de Informação Comunicação da Universidad de La Republica de Uruguay, a sede do Mercosul e o Teatro de Verão, um dos principais espaços de shows da cidade. E, ao lado do Teatro de Verão está o próximo lugar para você ir.
Por do Sol no Club de Pesca ou no morro ao lado do Teatro de Verão Ramón Collazo

Montevidéu não é uma cidade com muitos morros. Mas, um dos mais altos está a beira mar. Esse morro recebia espetáculos culturais durante anos, mas, em 1944, decidiram aproveitar seu relevo para construir a arquibancada de um dos maiores teatros da cidade. Artistas uruguaios e de outros países tocam lá, lotando seus mais de 5 mil lugares.
Independentemente de shows, existe um programa legal de fim de tarde nos arredores desse teatro. Tanto do alto do morro, quanto da frente do Club de Pesca, você pode ver um por do sol lindo, com o sol baixando no mar durante o verão ou atrás dos prédios do centro de Montevidéu no inverno. No verão, o sol se põe por volta das 20h. Já no inverno, anoitece mais cedo, umas 18h no máximo. Independentemente da época do ano, sugiro levar casaco, especialmente se você for ver o por do sol em cima do morro. O vento lá é implacável e, mesmo no verão, passei frio lá em cima. No alto desse morro, você ainda pode descer em um dos Tobogãs Públicos, escorregadores bem altos, que descem o morro e podem ser usados tanto por crianças quanto por adultos.
Farol de Punta Carretas
O bairro de Punta Carretas foi construído numa península que entra pelo Rio da Prata. Essa penínusla termina num lugar chamado Punta Brava, onde está construído o Farol de Punta Carretas. Ele mede 21 metros de altura e foi construído lá em 1876, quando começou a funcionar.
Coloquei aqui mais a título de curiosidade. Vale a pena ir lá? Só se você estiver com tempo sobrando. A vista da cidade é legal, mas você tem uma vista bem melhor do Club de Pesca, sem precisar andar tanto. Pelo menos quando fui, tudo ao redor estava em obra, você não podia entrar no farol e é isso aí. Desculpe, fãs de faróis e integrantes da Marinha do Uruguai.
Punta Carretas Shopping
Shopping é shopping em qualquer lugar do mundo. Seja no Brasil, Uruguai, Peru, Argentina, Chile, Espanha ou Portugal (citando os países onde entrei em shoppings), todos têm a mesma cara. Mas coloquei o Punta Carretas Shopping aqui por dois motivos.
O primeiro, e menos importante, para você pegar um sorvete de doce de leite do La Cigale. Já já falo dela em detalhes
O segundo, e mais importante, o shopping é uma antiga prisão. Ela foi inaugurada em 1915 e funcionou até 1986. Naquele ano, depois de uma imensa rebelião, ela foi abandonada e ficou vazia até 1992, quando começaram as obras de retrofit. Em 1994, o Punta Carretas Shopping foi inaugurado.
Essa prisão foi muito usada durante a Ditadura Militar do Uruguai. Entre os presos que passaram por ali, se destaca José Mujica, que passou anos ali. Inclusive, ele participou de uma das fugas mais espetaculares da prisão, quando mais de 100 detentos escaparam.
Playa de Los Pocitos

Montevidéu não é exatamente conhecida por ser uma cidade litorânea, mas a galera curte uma prainha no verão. Bem perto do centro, está a Playa de Los Pocitos. Não se assuste com o mar amarronzado, ele não é poluído. Acontece que o Rio da Prata e, na verdade um estuário, isso é, o encontro do Rio Paraná com o mar. E a água é barrenta por causa de toda terra que o rio traz. Apesar de barrenta, a água é limpa para nadar. Pelo menos é o que os uruguaios dizem.
Uma curiosidade da praia está em sua arquitetura. Quando você for lá, dá uma olhada nos prédios. Olha se não são muito parecidos com os da orla de qualquer cidade litorânea brasileira. Obviamente, cidade que tenha prédios na orla. Tirando a baranguice de Balneário Camboriú.
Letras de Montevideo

Finalizando o passeio na região da Rambla, Punta Carretas e Pocitos, tem um dos pontos turísticos mais de turistão de Montevidéu: as famosas letras de Montevideo. Não tem muito o que dizer aqui. São letras, da altura de um adulto, formando o nome da cidade em espanhol. As pessoas vão lá e tiram fotos.
É isso.
3) Tres Cruces e Parque Batalle
Aqui fica ao norte do centro da cidade, Pocitos e Punta Carretas. Tem uns pontos legais e a princípio não tão turísticos. Mas, se você for passar um domingo em Montevidéu, é obrigatório dar um pulo na região para conhecer um tesouro da cidade.

Feira de Tristán Navaja
Eu ADORO feiras de antiguidades. E adorei passear pela Feira de Tristán Navaja. Em outros lugares, fui em feiras assim que ocupavam praças ou uma rua. A Feira de Tristán Navaja ocupa a própria Rua Tristán Navaja, mas se espalha por ruas paralelas e perpendiculares. E ali você encontra de tudo! Brinquedos, vestuário, comida, frutas, lembranças, livros, eletrônicos, todo tipo de penduricalho que você pode imaginar. Se você é como eu e adora um rock latino, vai esbarrar com algumas barraquinhas que vendem CDs de bandas latinas e de outros continentes.

A feira acontece todo domingo, começando às 7 da manhã e indo até as 15 horas. Como a maioria das coisas estão fechadas no domingo em Montevidéu, vale a pena separar o dia pra passear por lá.
Palacio Legislativo

Lembra da Plaza Cagancha e do trailer de hamburguer Macanudo? Pois é, dali sai a avenida Libertador Brig. Gral. Lavalleja (um dos caras enterrados na Catedral Metropolitana). Seguindo nessa avenida, você chega no imponente Palacio Legislativo, a sede da câmara dos representantes (equivalente aos deputados) e o senado do Uruguai. É um prédio imenso e muito bonito, de estilo neoclássico e inaugurado em 1925, quando o país comemorou 100 anos de sua independência.
O palácio tem visitas guiadas toda segunda e sexta feira, iniciando 11h30 e 15 horas. Essas visitas são em português, inglês ou espanhol. Se você quiser mais informações sobre as visitas, dá uma olhadinha aqui no site do palácio.
Mercado Agricola de Montevideo
Ali pertinho do Palacio Legislativo está o Mercado Agrícola de Montevidéu. Assim como outros mercados antigos de Montevidéu, Santiago e até Porto Alegre, seu telhado é sustentado por uma estrutura de ferro e vidro, o que dá uma visão muito legal do prédio. Sua construção é de 1906 e foi feito para concentrar os vendedores de comida espalhados pela capital uruguaia. Ele passou por ampliações em 1929 e 1945.
Além de ainda abrigar lojas de comida, o Mercado hoje tem uma praça de alimentação e lojas de lembrancinhas, como todo mercado público. Confesso que não comi lá, mas dizem que tem preços melhores que o Mercado do Porto, apesar de estar mais afastado da parte turística da cidade.
Espacio de Arte Contemporaneo
Assim como o Punta Carretas Shopping, o Espacio de Arte Contemporaneo é uma antiga prisão que foi retrofitada para um novo uso. Nesse caso, virou um museu de arte. O legal desse espaço é que preservaram a arquitetura original, mantendo o espaço das celas, corredores, pátios e outros espaços da prisão. No entanto, ao invés de prisioneiros, ali agora há obras de arte contemporâneas.
A visitação é gratuita e ele fica aberto de quarta a domingo. De quarta a sábado, fica aberto das 13h às 19h. Aos domingos, das 11h às 17h
Estádio Centenário

No meio do Parque Batalle está um ponto obrigatório para todo fã de futebol: o palco da primeira final de Copa do Mundo, o famoso Estádio Centenário de Montevidéu. Inaugurado em julho de 1930, o estádio para 60 mil espectadores recebeu não só a final do primeiro mundial da FIFA, mas diversas finais continentais e de Libertadores. Ele fica aberto a visitação do público que pode conhecer não só suas arquibancadas, mas também o museu do futebol do Uruguai.
O que eu destacaria no estádio é sua torre de 100 metros de altura e em estilo Art Decó. A base da torre tem detalhes que imitam as asas de um avião e a proa de um barco, homenageando os imigrantes que construíram o país. Quando você visita o estádio, infelizmente não sobe a torre. Mas visita as arquibancadas e sente um pouco do clima do lugar.

Mas o que mais gostei foi o Museu do Futebol do Uruguai. Ali, é contada a história dos clubes e da seleção, dando destaque aos principais títulos do país: as Olimpíadas de 1924, a Copa do Mundo de 1930 e a de 1950, em cima do Brasil e em pleno Maracanã Lotado. Inclusive, sendo brasileiro, é muito curioso ver o outro lado da história. Enquanto cresci vendo a final de 1950 como uma tragédia, os uruguaios contam como um ato heróico. Destacam, sim, sua conquista. Mas sem desrespeitar os brasileiros.
O estádio está aberto a visitação de segunda a sábado, das 10h às 17h.
Onde comer em Montevidéu?
Como falei, Montevidéu é uma cidade bem cara. Mas tem umas opções de comida bem boas. Algumas menos caras, outras mais caras e uma opção pra quem quer economizar. Dá uma olhada nos cafés, lanchonetes, restaurantes e sorveterias que visitei e recomendo.
Macanudo

Um trailer de hamburguer muito gostoso, bem no começo da Avenida Libertador Brigadeiro General Lavalleja, logo abaixo da Praça Juan Pedro Fabini. O Macanudo funciona 24h por dia, de domingo a domingo! Tá com fome no centro de Montevidéu? Vai lá!
O melhor é o preço. Não vou falar que é barato, mas não é o lugar mais caro pra comer. Um hamburguer com Coca-Cola sai a uns 60 reais. E o Macanudo faz um hamburguer muito bom! Eu, particularmente, recomendo o Macanuda. Vem carne, queijo, bacon e o que você quiser colocar. Ali é meio Subway, tem várias opções de vegetais, molhos e outros acompanhamentos. Inclusive, foi lá que experimentei salsinha no hambúrguer. Fica muito bom!
Cafe La Farmacia

O La Farmacia é um dos cafés mais charmosos da Ciudad Vieja. Os donos preservaram a arquitetura original de uma antiga farmácia, mas transformaram em café e restaurante. Além de você poder tomar café e comer quitutes ali, você também pode almoçar e jantar. É caro? É, afinal é Montevidéu. Mas é bem gostoso para passar lá um dia e comer alguma coisinha.
Fica aberto de segunda a sexta das 8h às 19h. Aos sábados, abre das 9h às 19h.
Restaurante Ventus
O Ventus é um restaurante muito bom na Ciudad Vieja com o melhor custo benefício que vi no Uruguai. Cansei de escrever isso, mas não é barato. Mas, pelo mesmo valor que outros restaurantes cobram por uma milanesa com bebida, você tem entrada, prato principal, sobremesa, e bebida, que pode ser água, café, suco ou vinho. Quanto custa essa brincadeira? 690 pesos ou 95 reais.
E a comida é muito boa! Pelo que estava vendo nas fotos aqui (tem quase um ano que fui lá), de prato principal eu peguei um picadinho de carne com legumes. De sobremesa, um pudim de leite condensado muito bom. O atendimento é excelente, assim como a comida.
La Maestranza (Mercado do Porto)

Se você for comer no Mercado do Porto, a minha sugestão é ir no La Maestranza, bem no meio do mercado. Comi uma Milanesa muito boa lá e com preços semelhantes ao de outros lugares da cidade, por volta de uns 650 pesos. Já o pessoal que foi comigo dividiu uma tábua de asados e, olha, que arrependimento. Minha milanesa estava muito boa, mas eles pagaram a mesma coisa que eu e comeram MUITA carne. Até eu acabei filando um bife deles e ainda assim sobrou carne demais. E ainda veio um molho chimichurri muito bom. Pelo preço dessa carne com bebida no La Maestranza, você tem uma refeição completa no Ventus. Mas aqui você vai se empanturrar de carne.
La Cigale

La Cigale é uma rede de sorveterias espalhadas por toda Montevidéu. E que sorvetes! A minha maior recomendação é o sorvete de doce de leite! Doce no ponto certo, textura perfeita, é incrível! Outros sabores de sorvete que eu sempre pego são o manjar de nuez (doce de leite com nozes), dulceleche granizado (com chocolate). Além dos sorvetes de chocolate ou pistache (gostava de sorvete de pistache uns 20 anos de virar modinha). Mas sempre pego uma casquinha de dois sabores, um desses de pistache ou chocolate e outro de doce de leite.
La Pasiva
La Pasiva é outra rede espalhada por toda Montevidéu. Mas, é uma rede de lanchonetes e restaurantes. Foi lá que experimentei o pancho, o cachorro quente uruguaio. Eles custam entre 102 e 190 pesos e podem vir só o pão com salsicha, mas também com salsicha e queijo, bacon e outras coberturas. São pequenos, ainda mais considerando que custam entre 14 e 28 reais cada. A boa do La Pasiva é pegar o tradicional Chivito ou a Milanesa. Eles custam entre 500 e 600 pesos, o que equivale a 50-80 reais. Caro? É, mas é bom.
Mercado Williman
Na rua Williman, no bairro de Punta Carretas está o Mercado Williman. É uma espécie de praça de alimentação com diversas opções de restaurantes, lanchonetes e choperia. Ali, você consegue comer um pouco de tudo da culinária uruguaia, dos chivitos aos asados, além de sobremesas como tortas e bolos.

Minha sugestão é ir no Mil Milas. As milanesas por lá custam uma média de 650 pesos e são imensas, ocupando meio prato. Também são acompanhadas de fritas, purê, salada e tal. Recomendo isso porque a galera costuma ir comer a parrilla lá. Dividindo para duas pessoas sai mais ou menos o preço da milanesa, mas vem muito menos comida. Não é tão vantajoso.
Mercado Disco
Essa é a sugestão para quem quer economizar de verdade. Ao lado do Shopping Punta Carretas tem um Mercado Disco muito grande. (O Disco é uma rede de supermercados uruguaia, com uma pegada meio Carrefour). Nesse mercado tem uma espécie de buffet onde você pode montar sua salada. Você pode pegar vegetais, grãos, algumas proteínas como ovo e frango. É a coisa mais gostosa do mundo? Não. Mas é barato. Peguei uma salada até grande e paguei uns 300 pesos, ou 41 reais. Metade dos 600 em média que a gente paga na milanesa.
Esse foi o guia de Montevidéu, baseado nas minhas experiências passando mais de dez vezes pela capital do Uruguai. É uma cidade muito gostosa, com um povo muito acolhedor. Por outro lado, é um lugar muito caro e, se você procura agito, pode achar parada demais.
Você já foi ao Uruguai? Conhece Montevidéu? Se conhece e se esqueci alguma coisa, deixa aí nos comentários! A medida que eu for conhecendo novos lugares por lá, o guia só vai aumentando.
E qual outra cidade você gostaria de conhecer?
